6.19.2004
Bata na Madeira
São tantas cobranças, tantas explicações e tanta coisa a ser defendida durante o dia que às vezes surge, como uma escapatória rápida, uma vontade de dar a cara totalmente para bater.
Essa vontade praticada torna-se um exercício de desligamento de várias coisas, inclusive do fantasma de si próprio. E para o bem da verdade não há nada melhor do que ser cara de pau, mesmo que por apenas um dia.
O berço de todas as oportunidades está na coragem da atitude, no desligamento dos pudores e das idéias enferrujadas que são chamadas ingenuamente de ideologia. Levantam-se bandeiras com idéias a provar durante a vida toda e, despercebidamente, as bandeiras perdem o sentido.
Às vezes dá mesmo vontade de ser apenas um agente da sociedade cumprindo com seus deveres, despreocupado com os resultados de suas ações e palavras. Às vezes essa parece ser mesmo a única forma de superar as obrigações cotidianas que cutucam uma moral exagerada, adquirida ao longo dos anos.