2.22.2004
Alegria Gratuita
Eu nasci em uma família tipicamente carnavalesca com o costume de participar intensamente de escolas de samba num passado recente, inclusive. É por isso que quando chega essa época do ano me bate uma levada louca (?) que me dá uma alegria incondicional. Eu gosto de verdade.
Achei interessante notar esse acontecimento dentro da minha figura tão esdrúxula! Sim, pois outro dia eu conversava com alguém justamente sobre a minha aversão à alegria gratuita.
As pessoas têm o costume de maquiar suas aflições e questões mal resolvidas com uma dose extrapolar de pulos, gargalhadas e alto astral. Eu sei porque também faço isso algumas vezes, à minha maneira.
Masoquismos à parte, eu prefiro a escuridão. Me sinto mais digno após uma sessão deprê com o melhor e o pior de Depeche Mode do que com uma noite de carnaval. Sou daqueles que concordam que a casa onde se vive o luto é mais produtiva do que aquela onde se vive a festa e acredito no sofrimento como uma forma de evolução.
Não que eu seja uma pessoa triste. Talvez só um pouco amargo às vezes, mas em geral sorridente. Na verdade eu ainda não me vejo como um quebra cabeça montado, e sim como uma paisagem com várias nuances de momento. Por isso escrevi esse texto sem conclusão, sem começo, meio e fim. Apenas de passagem, assim, como um pensamento abortado.